MIGUEL RODRIGUES
CARPE DIEM, HOUDINI IS NOT DEAD
Repetição #4
Nesta adaptação digital de Carpe Diem, Houdini is Not Dead para a Sala 2 e para o seu site pessoal, o visitante percorre imagens com o cursor, deixando traços, produzindo marcas de presença e alterando a nitidez do som, questionando o que a fixação esconde das transformações da experiência acumuladas nas suas representações.

O trabalho regressa ao primeiro percurso pendular que fotografei de forma sistemática através das imagens da época. Acentua o desencontro entre experiência, hábito, memória e presença no espaço: as imagens não acompanham as transformações dos hábitos, das memórias e da paisagem, deixando em aberto o potencial do metameio e da instalação online para explorar os limites da imagem técnica. De segunda a sexta-feira, as imagens circulam e transformam-se num ciclo semanal de rotina; no final de cada ciclo, as imagens resultantes passam para uma grelha cumulativa no separador Trabalho do site pessoal do autor.





r
               
                                                                                                                                                                         
SALVADOR PIRES
270/71
270/71 é o trabalho apresentado por Salvador Pires para a prova de aptidão artística na Escola Artística António Arroio. O projeto foi desenvolvido sob orientação do professor Bruno Santos. Inicialmente apresentado como portfólio impresso em papel vegetal, o trabalho mostra, ao mesmo tempo, um conjunto de imagens de cariz documental sobre a região de Sines, assentes, como o texto introdutório indica, na tradição dos New Topographics, e um desafio de leitura: ao escolher o papel vegetal em detrimento de um papel fotográfico regular, Salvador Pires traz ao cânon documental da fotografia, assente na ideia da objetividade e da indexicalidade, um elemento contemporâneo de dúvida em relação ao seu próprio processo. Cada prova, colocada em cima das outras, revela, traços das imagens que se seguem, deixando, assim, abrindo assim um espaço de indecisão sobre a aparente clareza inicialmente esperada das imagens.

Ao trazer o trabalho para a Sala 2, quisemos manter este elemento de incerteza, de mistura entre o caráter objetivo de cada imagem, e da dúvida que se levanta em relação a este pela sobreposição de imagens. Decidimos importar este elemento do ritmo de leitura do livro, necessariamente temporal, para a experiência de visualização, jogando, aqui também, com o ritmo e a temporalidade de leitura.

p
               




                                                                                                                                                                                                                                                     
BREVEMENTE: EXPOSIÇÃO: A CASA DA AVÓ
SOFIA SÓ
MAYA DEREN E A CONCEPÇÃO DO TEMPO
Esta curta-metragem, e o ensaio que a acompanha, propõe um mergulho na estética e linguagem do cinema de Maya Deren, figura central do cinema experimental nas décadas de 1940 e 1950. Através da análise de Meshes of the Afternoon e At Land analiso e trabalho os aspetos de montagem, repetição, fragmentação e o papel do corpo feminino como sujeito ativo da imagem. O trabalho constrói um diálogo entre a obra de Deren e a minha própria prática artística, incorporando elementos como a reversão temporal, os planos espelhados e a fluidez entre sonho, memória e espaço dissociado. A curta não se pretende apenas como homenagem, mas mas como um gesto de continuidade entre a linguagem de Deren e a minha própria estética, marcada pela dissociação, o autobiográfico e a fragmentação do ser.







s
               
                                                                                                                                                                                                                                                                       
PATRICIA SILVA
TVOROS
As provas de contacto são um marco visual marcante na tradição da fotografia documental a preto e branco. Mais do que uma mera ferramenta técnica, definem uma metodologia que é também uma estética, com as sequências de imagens em miniatura a permitindo uma visão panorâmica de todos os fotogramas do filme para edição do trabalho do fotógrafo.

Respeitando a forma e a metodologia do trabalho de Patrícia Silva em TVOROS, prestamos tributo a esta tradição, destacando o processo analógico como uma resistência contemporânea à massificação e aceleração da circulação das imagens.

As imagens que constituem o portefólio de imagens escolhido para a exposição realizada no Espaço d’Alte em maio de 2025, temos a possibilidade de as ver aumentadas.




s
               




                                                                                                                                                                                                   
RICARDO GOMES
MEMORY OF DAY THAT ONCE WAS LIFE
Mexer em imagens é mexer em memórias. Não só aquelas que supostamente o autor registou mas também, talvez até sobretudo, as memórias que as imagens evocam em quem as vê. Falar de memória em fotografia é, assim, para nós, falar de um diálogo aberto entre presentes. Os contextos misturam-se. Os tempos misturam-se. A ideia de uma organização cronológica cede terreno perante uma organização mais intuitiva, mais enraizada no instante da perceção, do diálogo.

Como é que se organizam as imagens de um diário na memória? o que é que lembramos? o que é que esquecemos?




g